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Blog de Melzão
 


Eu costumo dizer que, no Brasil, todos os governantes atuam no mesmo sentido em relação à economia.

Todos querem "gerar emprego", "trazer empresas" etc, sejam de que partido forem.

A discordância se dá apenas com relação a que empresas serão trazidas, que empregos serão protegidos ou que áreas da atividade econômica serão privilegiadas.

Esses dias, li num jornal da minha região (Correio do Sul - extremo sul de SC), que o governo de SC e a prefeitura de Araranguá estavam concedendo um incentivo fiscal para que uma fumageira se instalasse na cidade.

Segundo a matéria, tal incentivo consistiria em isentar essa empresa do pagamento de ICMS para qualquer compra realizada no estado.

A empresa, por outro lado, concordou em instalar sua fábrica na cidade de Araranguá. Em tese, cerca de 700 empregos seriam criados (direta e indiretamente).

Eu tenho uma série de objeções a essa medida.

1) o que o governo deixa de arrecadar em impostos nesse caso, deverá ser coberto por arrecadação em outras áreas, já que a atividade estatal não diminui;

2) em geral, a classe média arcará com isso ou outro ramo econômico sairá perdendo;

3) na estrutura tributária brasileira, o imposto pago por um brasileiro é distribuído entre todos os entes federativos (união, estados e municípios); não há vinculação entre arrecadação e despesa; vale dizer que uma fumageira concorrente está, indiretamente e através dos impostos que paga, incentivando a fumageira instalada em Araranguá;

4) eu, que não fumo e não quero incentivar essa atividade econômica, estou sendo obrigado, com impostos, a fazê-lo, o que é antidemocrático;

5) a fumageira beneficiada ganha um empurrãozinho desleal contra a concorrência que poderá, assim, ser obrigada a tomar medidas (cortar funcionários, por exemplo) para acompanhar os preços;

6) se o mercado não se ajustar, a nova fumageira poderá ganhar mercado com um produto que, no futuro, custará mais caro. Paga-se duas vezes: com subsídios e com preços mais caros;

Mas como convencer o povo disso?? Muito difícil...

Convencer os políticos, então...

Será que a notícia relatada é criticada por algum político?? Óbvio que não! Com aquela linha tratando dos 700 empregos, os políticos querem mais é acertar a vinda das empresas e colocar isso no currículo...

Enquanto isso, a gente, no Brasil, paga mais caro por qualquer produto em comparação com os países desenvolvidos e ninguém sabe o porquê.

É fácil jogar a culpa nos impostos.

Na verdade, os impostos, no Brasil, são ruins pq se traduzem num instrumento de intervenção do estado na economia, no mercado. E há formas mais racionais de se utilizá-lo.



Escrito por Melzão às 13h47
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Eu costumo dizer que, no Brasil, todos os governantes atuam no mesmo sentido em relação à economia.

Todos querem "gerar emprego", "trazer empresas" etc, sejam de que partido forem.

A discordância se dá apenas com relação a que empresas serão trazidas, que empregos serão protegidos ou que áreas da atividade econômica serão privilegiadas.

Esses dias, li num jornal da minha região (Correio do Sul - extremo sul de SC), que o governo de SC e a prefeitura de Araranguá estavam concedendo um incentivo fiscal para que uma fumageira se instalasse na cidade.

Segundo a matéria, tal incentivo consistiria em isentar essa empresa do pagamento de ICMS para qualquer compra realizada no estado.

A empresa, por outro lado, concordou em instalar sua fábrica na cidade de Araranguá. Em tese, cerca de 700 empregos seriam criados (direta e indiretamente).

Eu tenho uma série de objeções a essa medida.

1) o que o governo deixa de arrecadar em impostos nesse caso, deverá ser coberto por arrecadação em outras áreas, já que a atividade estatal não diminui;

2) em geral, a classe média arcará com isso ou outro ramo econômico sairá perdendo;

3) na estrutura tributária brasileira, o imposto pago por um brasileiro é distribuído entre todos os entes federativos (união, estados e municípios); não há vinculação entre arrecadação e despesa; vale dizer que uma fumageira concorrente está, indiretamente e através dos impostos que paga, incentivando a fumageira instalada em Araranguá;

4) eu, que não fumo e não quero incentivar essa atividade econômica, estou sendo obrigado, com impostos, a fazê-lo, o que é antidemocrático;

5) a fumageira beneficiada ganha um empurrãozinho desleal contra a concorrência que poderá, assim, ser obrigada a tomar medidas (cortar funcionários, por exemplo) para acompanhar os preços;

6) se o mercado não se ajustar, a nova fumageira poderá ganhar mercado com um produto que, no futuro, custará mais caro. Paga-se duas vezes: com subsídios e com preços mais caros;

Mas como convencer o povo disso?? Muito difícil...

Convencer os políticos, então...

Será que a notícia relatada é criticada por algum político?? Óbvio que não! Com aquela linha tratando dos 700 empregos, os políticos querem mais é acertar a vinda das empresas e colocar isso no currículo...

Enquanto isso, a gente, no Brasil, paga mais caro por qualquer produto em comparação com os países desenvolvidos e ninguém sabe o porquê.

É fácil jogar a culpa nos impostos.

Na verdade, os impostos, no Brasil, são ruins pq se traduzem num instrumento de intervenção do estado na economia, no mercado. E há formas mais racionais de se utilizá-lo.



Escrito por Melzão às 13h44
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