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Blog de Melzão
 


Continuando...

Eleição, representatividade, alternância de poder... Nada disso garante uma democracia.

A democracia só é garantida com o respeito às liberdades individuais - principalmente o direito à propriedade e o direito à integridade física.

Suprimidos esses direitos - os únicos que tornam o indivíduo livre - não há plebiscito, referendo ou eleição que garanta a democracia.

Pra dizer isso, deve-se considerar democracia não como uma forma de organização do estado em que a maioria decide os rumos da sociedade.

Democracia é o ambiente em que CADA UM pode decidir como quiser sobre aquilo que lhe diz respeito, ainda que a maioria discorde disso.

Exemplo marcante, como não poderia deixar de ser, é Cuba e Venezuela.

Acho que em nenhum outro país do mundo há mais eleição, referendo ou plebiscito que nesses dois.

Ao contrário, na Inglaterra, por exemplo, o governo passa por uma monarquia hereditária. Ninguém escolhe o rei ou a rainha.

Mas os direitos de propriedade e à integridade física são mais fortes que em Cuba e Venezuela.

Por isso, na Inglaterra, há mais liberdade. Por isso, na Inglaterra, há mais democracia.



Escrito por Melzão às 00h54
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Hoje mandei um e-mail pro meu irmão criticando o fato do governo poder dar dinheiro pra instituições que desenvolvem atividades das quais discordamos.

Ele respondeu dizendo que discordava da crítica pq, segundo ele, é natural que ao vivermos numa "república" ou numa "democracia" o governo faça isso.

Isso porque, ainda segundo ele, nós teríamos entregues ao governo o direito de gastar o dinheiro público para poder viver em sociedade.

A verdade é que não existe "dinheiro naturalmente público".

Ora, o governo pega a riqueza da iniciativa privada, das pessoas. E faz isso através de impostos.

Ninguém paga porque quer. Pode ser que alguns gostem de pagar. Mas pagam porque são obrigados.

Se não pagarem, o governo toma de qualquer jeito.

E não existe outra forma de o governo fazer dinheiro que não através do trabalho dos particulares.

Portanto, dinheiro público é um nome que se dá para o dinheiro que o governo determinou que nós devemos dar pra ele.

A melhor forma de se gastar esse dinheiro depois que ele foi tomado, não há dúvidas, é através de escolhas que se iniciam com a eleição.

Porém, o melhor seria não existir essa obrigação.

Afinal, não é justo que eu seja obrigado a dar meu dinheiro para o governo fazer coisas das quais eu discordo.

Ora, dinheiro é o que ganhamos pelo nosso trabalho ou com trocas voluntárias, o que é feito com o nosso corpo (excluídas as hipósteses de fraude ou violência para adquiri-lo).

Dizer que alguém pode fazer como nosso dinheiro algo do que discordamos é o mesmo que dizer que alguém pode fazer com o nosso corpo algo que não queremos.

Se isso não é escravidão, o que é então?



Escrito por Melzão às 19h56
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Já faz um tempo que ando estudandos os estragos que os governos fazem ao meter o bedelho nos meios de produção e no consumo.

Nesse caminho, acabei vendo, no youtube, um vídeo com o Milton Friedman narrando a história de um lápis (http://www.youtube.com/watch?v=jgK11FkBJ0U).

Para quem não sabe, Friedman é um dos caras que defenderam a superioridade da economia de mercado sobre o planejamento estatal.

Bom, ontem, minha namorada trouxe pra casa a última edição da Superinteressante.

Nela, existe uma matéria mostrando, de modo simplificado mas claro, como funciona um grande fenômeno típico de São Paulo.

Pra quem mora ou já morou lá, sabe como é triste entrar no metrô com sol e sair dele com chuva.

Quem lembra de pegar o guarda-chuva? Quase ninguém...

Como fazer então? Arriscar molhar a roupa limpinha antes de começar o dia de trabalho?

Calma! Não há com que se preocupar! Haverá, certamente, um ambulante vendendo guarda-chuvas na saída do metrô.

Preço? Varia de R$ 3,00 a R$ 10,00.

Não houve necessidade de nenhum governante estabelecer metas de produção, controle de cotas, rotas de logística, sistemas de controle e entrega.

Não. Apenas o mercado e o sistema de preços fez com que vc, ao sair do metrô, pudesse comprar seu guarda-chuvas de modo a não se molhar.

Ah, e se não quiser o guarda-chuva, basta sair andando e se molhando que nem o ambulante nem o governo vão te obrigar a comprar um...

Tenho para mim que, se deixássemos ao governo a tarefa de produzir e distribuir guarda-chuvas em dias de chuva repentina, muita gente acabaria molhada e alguns privilegiados conseguiriam o melhor guarda-chuva que o mudo pode fabricar.

Sem contar a grande injustiça: aquele que prefere se molhar, seria obrigado a usar um pq o governo acha melhor. Ou então, pelo menos, ia ter que contribuir pra que os que não querem se molhar, tenham sua proteção...

 



Escrito por Melzão às 09h49
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A Globo voltou a atacar a Record e a Igreja Universal.

Tenho pra mim que a Globo pensa estar sofrendo injustiças. Afinal, ela deve achar que paga impostos corretamente, sem isenções, imunidades ou subsídios.

Da mesma forma, deve pensar que a Record, por sua ligação com a Igreja Universal, ganha uma ajudinha, já que entidades religiosas, no Brasil, não pagam impostos.

Fica claro, se esse cenário for verdadeiro, que, na concorrência pela audiência, a Record levaria vantagem. Como parece que a Record anda crescendo, normal que a Globo se preocupe.

Pra mim, a solução mais simples seria cobrar imposto das entidades religiosas.

Pq é que elas não pagam impostos? Nunca entendi isso... Ainda mais depois que andaram tentando transformar o Brasil num país laico.

Bom, mas não é sobre isso que quero falar. Quero falar sobre algo que vi nas denúncias feitas pela Globo sobre a Record.

Nelas, diz-se que o dinheiro que os fiéis doam é desviado.

DESVIADO? Desviado de onde? Pra onde ele deveria ir? Há algo na lei que diga?

Claro que não. Por isso, não dá pra falar em desvio, penso eu.

Desvio ocorre, por exemplo, quando o governo manda um dinheiro pra saúde e alguém o aplica em imóveis da Zona Sul. Aí houve desvio, óbvio.

Mas se a lei só diz que a igreja não vai pagar impostos e não diz o que ela deve fazer com o dinheiro do fiéis, não há desvio.

Pode haver, malandragem, safadeza, ignorância etc. Se há, então os prejudicados (os fiéis que entregam a bofunfa), é que devem reclamar.

Coitada da Globo, então, que não é igreja e tem que pagar impostos.

Deveria ela lutar para acabar com essa imunidade maluca e paternalista que tá lá na Constituição.

Mas aí a opinião pública talvez não gostasse, já que tem tanta igreja no país. É melhor tentar empurrar pra gente que a IURD desvia dinheiro...

E tem tonto que cai nessa. Tem tonto até no MP e no Judiciário que cai nessa...



Escrito por Melzão às 10h20
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Hoje discute com colegas de trabalho sobre a lei antifumo de São Paulo.

Chegou-se a alegar que "restaurante não é um estabelecimento privado" ou que "restaurante é onde se combe e bebe e não onde se fuma".

Durante a conversa, várias vezes eu perguntei:

"Ué, mas se o restaurante (ou a boate, ou qquer porra de sala onde se realizar qualquer merda de atividade) é minha, pq eu não posso deixar alguém fumar"?

Cito aqui, para subsidiar meus argumentos um parágrafo retirado de um texto, cujo link segue em seguida:

"Mas o detalhe básico a que poucos parecem dar atenção é que as pessoas que são empregadas ou clientes de um bar ou restaurante estão ali por opção própria.  Colocando de outra maneira, aqueles indivíduos que decidem trabalhar em um determinado estabelecimento, ou comer e beber ali, tomaram essa decisão livremente.  Nenhum dono de bar ou restaurante pode obrigar ninguém a trabalhar ou comer em seu estabelecimento.  Assim, na melhor das hipóteses, o estado está "salvando" as pessoas de seu próprio livre arbítrio, o que significa que autoridades políticas - e os ativistas que vibram com elas - estão na verdade coagindo esses trabalhadores e clientes a fazerem apenas as escolhas que tenham a aprovação do estado."

(http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=266)

Faz sentido ou não faz?

Só não faz pras seguintes pessoas:


1) aquelas que acham que um restaurante não é um local privado, particular, que tem um dono;

2) quem acha que quem vai num restaurante tem que só comer ou beber; fazer ou querer fazer qualquer outra coisa num restaurante além disso está errado;

3) quem acha que sua opinião sobre uma coisa deve prevalecer sobre a das outras pessoas, inclusive sobre a opinião do dono;

4) quem acha que o dono não pode fazer o que quiser com o que é seu, como os comunistas.

Vc está entre as pessoas acima? A maioria dos brasileiros está.



Escrito por Melzão às 21h30
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Meu irmão trabalha numa empresa que presta assessoria para outras empresas que buscam incentivos fiscais através da Lei Rouanet.

Nós começamos a discutir porque eu acho errado o governo usar dinheiro público para incentivar qualquer atividade econômica (ainda mais atividade cultural).

Eu estava explicando os diversos malefícios e injustiças de se gastar dinheiro público para patrocinar qualquer coisa (Cf. três posts atrás), quando ele usou um argumento interessante.

Ele disse que, na verdade, não havia injustiça alguma, já que o dinheiro que ia pro projeto cultural não era público, mas sim da empresa que estaria deixando de recolhe-lo ao erário.

Para ele, portanto, essa situação é muito diferente daquela em que o governo arrecada primeiro e, depois, gasta ou repassa a grana.

Talvez, para ele (não sei direito, já que a discussão não passou desse ponto), a segunda cena seja injusta. A primeira, com certeza, não.

Ora, mas benefício fiscal é sempre assim: o governo abre mão de arrecadação e é nisso que consiste no incentivo (Cf. três posts atrás).

Será que eu sou tão estúpito a ponto de não conseguir ver seriedade no argumento usado por meu irmão?

Na verdade, acho que para os críticos do liberalismo falta o mínimo do conhecimento do funcionamento do estado. Principalmente no tocanto ao financiamento de suas atividades....

Ora, é óbvio que o dinheiro não é do governo até ser entregue a ele!

Da mesma forma, o valor do meu imposto de renda é meu até que eu o pague.

Se, porém, o governo propuser que eu deixe de pagar 10% do valor devido desde que eu entregue essa quantia ao grupo de teatro de Turvo, quem vai estar ajudando o grupo de teatro de Turvo? Eu ou o governo?

Parabéns para quem disse o governo!

Sabe por que? Porque eu não tenho outra escolha além dessas duas: pagar o imposto ou dar a grana pro grupo de teatro.

Se (e somente se, caros comunistas) eu pudesse fazer o que quisesse com os tais 10% e resolve-se dá-lo ao grupo de teatro é que o incentivo seria meu.

Mas, nesse caso, eu deveria poder, também, comprar doces, cerveja, revista de mulher pelada, doar para a Apae de Turvo ao invés do grupo de teatro etc.

Difícil de entender? Acho que não, a não ser que haja má-intenção (não peguei a regra nova ainda), desonestidade ou ignorância por parte dos comunistas,



Escrito por Melzão às 20h42
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Como ilustração do meu raciocínio sobre baixar juros, costumo usar uma situação apresentada por outro amigo meu.

Ele é engenheiro da Nestlé que, como toda empresa, tenta fugir do fisco.

Uma das medidas que a Nestlé tomou foi declarar que um certo produto por ela produzido não era leite, mas sim um certo derivado do leite.

A receita engoliu a sacada e, assim, os impostos pagos seriam menores.

"Opa!", pensaria o incauto. "Se a Nestlé tá pagando menos impostos, então o preço do tal produto vai baixar!"

Mas, para surpresa geral, o preço não baixou. Na verdade, até aumentou.

Então os liberais estão errados! Não basta baixar os impostos! Os capitalistas são gananciosos!

Não. Na verdade, os liberais estão certos.

O preço não baixou pq não há concorrência no mercado para o tal produto.

Existisse concorrência e, diante do novo entendimento do fisco, haveria gente baixando o preço para ganhar os consumidores.

Assim, ou a Nestlé baixaria o preço do seu produto ou então ela perderia mercado.

Essa é a lógica liberal que nos ajuda a entender por que os juros são tão altos no país.

Resumindo, na minha opinião, a taxa básica é alta pq o governo gasta muito. A arrecadação pelos impostos não sacia.

E, ainda que abaixe o taxa básica, o povo não vai sentir diferença pq não existe concorrência entre quem empresta no país ou essa concorrência é muito fraca para exercer uma pressão para baixo no preço do dinheiro (os famosos juros).

Muita gente vai usar os fundamentos da política monetária, a necessidade de se produzir superávit primário e tudo mais para explicar os altos juros no país. mas essa conversa não me engana.

O foda é ver que os bancos se beneficiam muito desse cenário e ninguém propõe, por exemplo, trazer para a legalidade a atividade dos agiotas.



Escrito por Melzão às 00h45
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Hoje, um amigo que eu reputo inteligente, veio até mim reclamar dos juros.

É lógico que ele foi movido, em sua indignação, pela notícia de que o Bacen havia reduzido a taxa Selic para 9,5% ao ano.

Afinal, raciocionou meu amigo, como pode o governo baixar os juros, mas essa redução não chegar ao povo em geral, lá na ponta, na fila dos bancos?

Segundo ele, o motivo é a ganância dos bancos, que deveriam, basicamente, ser punidos de alguma forma.

Mas será que ele sabe como funciona ou pra que serve esse esquema dos juros?

De maneira geral, é preciso explicar que a taxa de juros é um dos instrumentos de política monetária.

A política monetária, juntamente com a política fiscal, servem para que o estado conheça e atue no mercado, tentando controlar a inflação, a demanda, o consumo o poder da moeda e evitar que o país caia em recessão ou depressão econômica.

Num país sério, esses são os dois únicos instrumentos disponíveis para o governo agir no mercado (No Brasil, que não é sério, o governo tem, também, as famosas medidas populistas...).

A política monetária, no Brasil desde a era FHC, é moderna e conta com três instrumentos: a taxa básica de juros, o câmbio flutuante e as metas de inflação.

Aqui, vou falar apenas dos juros. No futuro, falo do resto.

Essa taxa básica de juros nada mais é do que o montante que o governo se permite pagar por dinheiro que toma emprestado de seus credores.

O governo pega dinheiro para executar suas atividades de duas forma: através de impostos ou tomando emprestado. Tomando emprestado, paga juros.

Parece lógico que ninguém emprestaria pro governo - uma vez que já se pagam impostos - se o governo não pagasse juros.

Da mesma forma, se um cidadão comum não se comprometer a pagar mais juros que o governo, pq alguém emprestaria dinheiro pra esse cidadão?

É lógico, também, que o governo, pra conseguir dinheiro emprestado, têm que ter fama de bom pagador. E essa fama vem pegando no Brasil.

Bom, não existe lei determinando quanto o banco vai cobrar de juros do cidadão para quem emprestar dinheiro.

Mas, se o banco pode emprestar pro governo (que paga certinho e com bons juros), pra que emprestar pro cidadão a juros menores que esses?

Não faz sentido, certo?

A não ser que haja uma forte concorrência bancária. No Brasil, estamos longe disso. Há poucos bancos, poucos bancos pequenos, é difícil abrir um banco e não se pode emprestar sem seguir as regras do sistema financeiro (sob pena de ser preso).

Pronto, cenário perfeito para juros altos.

Mas, há outro ponto a ser considerado.

O governo não vai conseguir pegar emprestado a juros menores a não ser que prove que vai pagar direitinho.

Lembremos que já houve duas moratórias do governo federal neste país nos últimos 40 anos.

Da mesma forma, pensando na política monetária, temos que ver se nossos governantes se interessam por baixar a taxa básica de juros.

Se o governo pagar juros menores, fica mais interessante emprestar pra outras pessoas. Aí, a turma tem mais dinheiro.

Se esse dinheiro não se traduzir em produção, mas apenas em consumo, o que acontece? Inflação! E isso o governo jamais vai admitir.

Portanto, no Brasil, vale dizer que o governo usa a desculpa de evitar a inflação para manter os juros altos.

Eu, particularmente, penso que o governo tem que manter os juros altos pq custa muito caro e precisa de muito dinheiro para tocar suas atividades.

E a turma só vai emprestar pro governo se os juros forem altos mesmo.

Quanto mais a gente ler, mais vamos poder tirar nossas próprias conclusões.

Mas, para que o juro fique menor na ponta, é preciso não só que o governo baixe a taxa básica de juros, mas que haja concorrência entre os emprestadores (hoje, bancos).



Escrito por Melzão às 00h35
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Eu costumo dizer que, no Brasil, todos os governantes atuam no mesmo sentido em relação à economia.

Todos querem "gerar emprego", "trazer empresas" etc, sejam de que partido forem.

A discordância se dá apenas com relação a que empresas serão trazidas, que empregos serão protegidos ou que áreas da atividade econômica serão privilegiadas.

Esses dias, li num jornal da minha região (Correio do Sul - extremo sul de SC), que o governo de SC e a prefeitura de Araranguá estavam concedendo um incentivo fiscal para que uma fumageira se instalasse na cidade.

Segundo a matéria, tal incentivo consistiria em isentar essa empresa do pagamento de ICMS para qualquer compra realizada no estado.

A empresa, por outro lado, concordou em instalar sua fábrica na cidade de Araranguá. Em tese, cerca de 700 empregos seriam criados (direta e indiretamente).

Eu tenho uma série de objeções a essa medida.

1) o que o governo deixa de arrecadar em impostos nesse caso, deverá ser coberto por arrecadação em outras áreas, já que a atividade estatal não diminui;

2) em geral, a classe média arcará com isso ou outro ramo econômico sairá perdendo;

3) na estrutura tributária brasileira, o imposto pago por um brasileiro é distribuído entre todos os entes federativos (união, estados e municípios); não há vinculação entre arrecadação e despesa; vale dizer que uma fumageira concorrente está, indiretamente e através dos impostos que paga, incentivando a fumageira instalada em Araranguá;

4) eu, que não fumo e não quero incentivar essa atividade econômica, estou sendo obrigado, com impostos, a fazê-lo, o que é antidemocrático;

5) a fumageira beneficiada ganha um empurrãozinho desleal contra a concorrência que poderá, assim, ser obrigada a tomar medidas (cortar funcionários, por exemplo) para acompanhar os preços;

6) se o mercado não se ajustar, a nova fumageira poderá ganhar mercado com um produto que, no futuro, custará mais caro. Paga-se duas vezes: com subsídios e com preços mais caros;

Mas como convencer o povo disso?? Muito difícil...

Convencer os políticos, então...

Será que a notícia relatada é criticada por algum político?? Óbvio que não! Com aquela linha tratando dos 700 empregos, os políticos querem mais é acertar a vinda das empresas e colocar isso no currículo...

Enquanto isso, a gente, no Brasil, paga mais caro por qualquer produto em comparação com os países desenvolvidos e ninguém sabe o porquê.

É fácil jogar a culpa nos impostos.

Na verdade, os impostos, no Brasil, são ruins pq se traduzem num instrumento de intervenção do estado na economia, no mercado. E há formas mais racionais de se utilizá-lo.



Escrito por Melzão às 13h47
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Eu costumo dizer que, no Brasil, todos os governantes atuam no mesmo sentido em relação à economia.

Todos querem "gerar emprego", "trazer empresas" etc, sejam de que partido forem.

A discordância se dá apenas com relação a que empresas serão trazidas, que empregos serão protegidos ou que áreas da atividade econômica serão privilegiadas.

Esses dias, li num jornal da minha região (Correio do Sul - extremo sul de SC), que o governo de SC e a prefeitura de Araranguá estavam concedendo um incentivo fiscal para que uma fumageira se instalasse na cidade.

Segundo a matéria, tal incentivo consistiria em isentar essa empresa do pagamento de ICMS para qualquer compra realizada no estado.

A empresa, por outro lado, concordou em instalar sua fábrica na cidade de Araranguá. Em tese, cerca de 700 empregos seriam criados (direta e indiretamente).

Eu tenho uma série de objeções a essa medida.

1) o que o governo deixa de arrecadar em impostos nesse caso, deverá ser coberto por arrecadação em outras áreas, já que a atividade estatal não diminui;

2) em geral, a classe média arcará com isso ou outro ramo econômico sairá perdendo;

3) na estrutura tributária brasileira, o imposto pago por um brasileiro é distribuído entre todos os entes federativos (união, estados e municípios); não há vinculação entre arrecadação e despesa; vale dizer que uma fumageira concorrente está, indiretamente e através dos impostos que paga, incentivando a fumageira instalada em Araranguá;

4) eu, que não fumo e não quero incentivar essa atividade econômica, estou sendo obrigado, com impostos, a fazê-lo, o que é antidemocrático;

5) a fumageira beneficiada ganha um empurrãozinho desleal contra a concorrência que poderá, assim, ser obrigada a tomar medidas (cortar funcionários, por exemplo) para acompanhar os preços;

6) se o mercado não se ajustar, a nova fumageira poderá ganhar mercado com um produto que, no futuro, custará mais caro. Paga-se duas vezes: com subsídios e com preços mais caros;

Mas como convencer o povo disso?? Muito difícil...

Convencer os políticos, então...

Será que a notícia relatada é criticada por algum político?? Óbvio que não! Com aquela linha tratando dos 700 empregos, os políticos querem mais é acertar a vinda das empresas e colocar isso no currículo...

Enquanto isso, a gente, no Brasil, paga mais caro por qualquer produto em comparação com os países desenvolvidos e ninguém sabe o porquê.

É fácil jogar a culpa nos impostos.

Na verdade, os impostos, no Brasil, são ruins pq se traduzem num instrumento de intervenção do estado na economia, no mercado. E há formas mais racionais de se utilizá-lo.



Escrito por Melzão às 13h44
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Tenho um amigo que é da turma dos comunistas. Segundo ele, uma das soluções para a corrupção é o financiamento público de campanhas eleitorais.

Para ele, o estado deve interferir na economia. No caso das obras, dizendo quais devem ser feitas, como devem ser feitas e por quem devem ser feitas, sempre para favorecer o interesse público.

Dentro dessa lógica, uma empresa que atue no mercado, ao buscar lucros, vai fazer de tudo para que o estado a escolha para realizar certas atividades.

Assim, por exemplo, se o governo quiser construir um porto, terá que licitar uma construtora.

A construtora, para ser ecolhida - ou, pelo menos, para não ser proibida de participar da licitação - fará de tudo. Nesse tudo, entra doar grana pros políticos serem eleitos, tanto pelas vias lícitas como via "caixa 2".

Pro governo poder escolher sem "pressões", dentro da lógica desse meu amigo, bastaria que os candidatos fossem proibidos de receber grana das construtoras para suas campanhas, que seriam inteiramente financiadas com dinheiro público.

O exemplo serve pras obras, pras importações, pros sindicatos etc. É só aplicar o modelo. Sem ninguém ajudando nas campanhas, os políticos estariam mais livres para decidir com base no interesse público. Qualquer "ajudinha" seria considerada corrupção.

Vejo três problemas, logo de início.

1- Quer dizer então que eu, com meus impostos, vou ajudar um político ou um partido dos quais discordo a fazer campanha? Me parece uma puta sacanagem.... Pra mim é mais justo que, caso eu queira, eu doe meu dinheiro pra campanha desse partido ou daquele candidato. Não é mais lógico?

2 - Se hoje, com grande liberdade para as arrecadações, os candidatos e partidos já praticam o "caixa 2", que dizer dentro desse novo modelo...

3 - Essa história de financiamento público me cheira a controle... Os políticos serão mais dóceis aos governos para poderem fazer parte dos maiores partidos e, com isso, ajudar a receber mais verba pública...

Por isso, como solução para o lobbysmo, para o tráfico de influência, para a corrupção, sugiro que o estado se afaste das atividades econômicas.

Há necessidade de um porto? Deixa quem quiser construir que construa. Ponha-se uma lei para que se respeitem certos requisitos, mas deixe que construam.

Dessa forma, por que que uma empresa interessada em construir o porto financiaria campanha política se a tal construção não dependeria de uma decisão política do estado?

Aplique-se esse raciocínio ao caso dos sindicatos, comerciantes, exportadores etc.

Além do que, com menos para fazer, mais dinheiro sobra na mão das pessoas, que poderão consumir mais e gerar mais riqueza.

Mas isso é assunto pra outro post...

 



Escrito por Melzão às 23h39
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Faz tempo que não escrevo. Essa história de filho é complicada...

Sento-me em frente ao PC, hoje, para dizer que a cada dia tomo mais consciência da necessidade que o Brasil e o mundo têm de aplicar um pouco mais os preceitos liberais.

Quando falo em liberalismo ou quando me qualifico como liberal, refiro-me ao liberalismo econômico.

E, liberalismo econômico, para mim, são os fundamentos que buscam explicar porque afastar o estado da atividade econômica é mais justo e gera mais riquezas, bem como é a descrição dos métodos para que esses fundamentos sejam aplicados.

Posso até ser religiosamente, politicamente, sexualmente etc. não liberal. No entanto, em termos de apropriação, produção e distribuição de bens, sou liberal.

Nesso ponto, é importante observar o critério que utilizo para separar as idéias e seus defensores, em termos de economia, como "de direita" ou "de esquerda".

Meu critério passa longe da história que surgiu em torno dessa classificação. De fato, da revolução francesa até hoje, muito mudou. É válido, porém, lembrar que a atuação estatal sempre esteve presente nessa dicotomia.

Para mim ser "de direita" significa defender que se busque a menor interferência possível do estado nas atividades econômicas, bem como que se tome como "econômica" ou "passível de negociação num ambiente de livre mercado" o maior número possível de atividades humanas.

Da mesma forma, ser "de esquerda" significa, para mim, defender que o estado interfira o máximo possível nas atividades humanas, negando a essas atividades a característica de, através dela, poder-se amealhar riquezas, ou seja, negando-lhes o caráter de "atividade econômica".

Espero poder escrever mais a partir de agora para mostrar como essas idéias vêm amadurecendo na minha cabeça.




Escrito por Melzão às 23h41
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Desisti de transferir meu carro pra SC. Vou pagar mais impostos com ele emplacado em SP? Vou. Mas não tem problema. Não vou entregar, diretamente, grana pro governo catarinense.

Enquanto puder, boicoto este estado.

Sugiro que todos façam o mesmo. Dá pra ter seu carro licenciado em outro estado? Faça. Dá pra comprar suas coisas em outro estado? Compre. Dá pra estudar longe daqui? Estude.

Vou esperar até que o governo catarinenese torne os serviços público que lhes são atribuídos um pouco mais eficiente.

Porra! Vinte dias pra receber a informação de que eu preciso conseguir não sei o que não sei lá onde pra transferir o carro é ridículo.

Não são vinte dias pra fazer alguma coisa. São vinte dias pra me darem a informação. Triste.



Escrito por Melzão às 17h21
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Eu sempre achei Guimarães Rosa muito chato. O fato de eu ter tido meu primeiro contato com ele por causa do vestibular ajudou a odiá-lo, é verdade. O fato do primeiro texto que eu li dele ter sido o conto "A Terceira Mrgem do Rio" ajudou mais ainda.

Afinal, esse conto é muito complicado. Lido sob a pressão do vestibular, que nos obriga a aprender muito mais do que nos deixa apreciar, complica-o ainda mais.

Depois, já na faculdade, tentei ler outras coisas desse autor e nunca passei das primeiras páginas. Começava, desistia e ficava na dúvida: ou eu sou idiota ou estou enfrentando mais um exemplo de "roupa invisível do rei".

Como sei que sou idiota, desconsiderei a hipótese do rei nu que desfila perante o povo que, com mede, aplaude a beleza de sua roupa imaginária.

Mas, mesmo assim, não conseguia ler o cara. Só agora é que consegui achar graça no figura. E não foi lendo seus livros e contos, que permanecem no fundo da prateleira, acumulando pó.

Foi por causa de um escritor americano responsável, segundo os críticos, pelas melhores traduções feitas do português e do espanhol para o inglês. Seu nome é Gregory Rabassa.

Ele traduziu, por exemplo, "Cem Anos de Solidão", de Gabriel García Márquez e "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis.

Bom, o tal Gregory foi entrevistado pela Veja numa matéria especial sobre os 100 anos da morte do criador de Quincas Borba. Ao final da entrevista, o repórter perguntou pro cara por que que ele nunca quis traduzir "Grande Sertão: Veredas", de Guimarães Rosa.

Gregory disse que tentou, mas desistiu.

Nesse ponto, eu torcia pra ele dizer que também não entendia patavinas do que o autor brasileiro escrevia e, assim como eu desisti de ler, ele desistira de traduzir.

Mas não. Ele desistiu porque o livro começa com a seguinte epígrafe: "O diabo na rua, no meio do redemoinho" (sinceramente, não parece algo sem sentido???).

Então, ele traduziu: "The devil on the street, in the middle of the whirlwind". Mas, ao reler a tradução, percebeu que o diabo não estava só na rua ou no meio do redemoinho, mas estava também no meio da palavra "re-demo-inho".

Pronto, aí ele desistiu, apesar de revelar que até achou uma solução em inglês pro problema.

E eu percebi que, de fato, não dá pra ler Guimarães Rosa pensando no que um examinador pode perguntar numa prova. Tem que ler atravessando as palavras, por mais estranho que isso possa parecer.

E lá vou eu tentar ler Guimarães Rosa de novo.

 



Escrito por Melzão às 02h59
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O Brasil não é um país sério. É um país de faz de conta.

 

Para chegar a essa conclusão, eu poderia citar uma série de fatos com os quais a gente se depara diariamente.

 

No entanto, é sobre o tema “prestação de contas de campanha” que eu vou me ater.

 

Pra começar, esclareço, para os leigos: a lei determina que os candidatos e os comitês financeiros[1] devem prestar contas de tudo o que movimentaram financeiramente durante o período da campanha política para a Justiça Eleitoral, seja na forma de dinheiro, seja na forma de coisas (que recebem o nome de “bens estimáveis em dinheiro”).

 

E essa mesma lei escolheu a Justiça Eleitoral para fazer o tal controle das contas, o que é normal.

 

Então, a Justiça Eleitoral, cheia de entusiasmo, vai lá e toma uma série de medidas pra mostrar pro povo que ela funciona, que é presente, que vai colocar todos esses bandidos imundos que roubam o Brasil na cadeia, ouviu bem?

 

Primeiro, ela edita, dentro da sua competência, uma Resolução bem detalhada e rigorosa estabelecendo as regras para a prestação de contas.

 

Nessa resolução, ela estabelece uma série de critérios para análise e as sanções para os erros dos candidatos.

 

Aí, como a resolução foi editada lá em Brasília, no começo do ano eleitoral e tem que ser aplicada do Oiapoque ao Chuí, a Justiça Eleitoral organiza uma série de ações de treinamento.

 

Instuções são passadas, softwares são desenvolvidos, diretrizes são informadas, cronogramas são marcados, turmas são organizadas, testes são feitos, provas são aplicadas, viagens são realizadas, manuais são elaborados, explicações são dadas, campanhas são publicadas etc.

 

Imagine, leitor, dinheiro sendo gasto. Agora imagine mais. Por fim, tente imaginar de onde veio esse dinheiro. Pronto. Feito o exercício de imaginação, voltemos ao raciocínio inicial.

 

Chega a eleição. Proclamados os eleitos, começa a correria das prestações de contas. Nesse momento, o candidato já nem sabe mais de nada, se gastou, se arrecadou, onde tá o recibo, cadê aquele extrato, meu deus?

 

Um coitado escolhido pelo partido - geralmente um contador bem estabelecido na cidade - se vê com a dura missão de organizar a papelada, estudar a lei, aprender a mexer no software e entregar tudo no cartório.

 

O funcionário do cartório eleitoral, recém aprovado num concurso, ganhando bem (lembra do dinheiro sendo gasto?), super motivado, pronto pra atender ao chamado patriótico e mostrar praqueles inescrupulosos que a Justiça Eleitoral não é mais a mesma e, finalmente, os políticos serão punidos por algo errado que fizeram, senta na sua mesinha com um processo à frente.

 

Ele, que participou ativamente de todo aquele parágrafo chato anteriormente escrito, acumulando conhecimento e vontade de finalmente agir – afinal, na Justiça Eleitoral só se trabalha de 4 em 4 anos (ou, sendo bonzinho, de 2 em 2) – analisa as contas do candidato, acha um monte de incongruências na papelada, passa por cima do sistema que não funciona e faz um parecer pela desaprovação das contas.

 

Putz! E agora? O candidato não poderá ser eleito? Não tomará posse? Será cassado? Condenado à forca? Será preso em operação da PF com nome legal chefiada por um delegado com nome estranho?

 

Não! Nada disso! Ele pegará o processo – não sem antes dizer que entendeu tudo o que está escrito, apesar de não concordar com nada, afinal, foi só um errinho, como é que pode uma coisa dessas? – levará para casa, brigará com o contador e, depois de três dias, apresentará sua justificativa.

 

A justificativa será analisada pelo promotor eleitoral, que emitirá sua opinião. Depois, o juiz vai decidir se aprova ou não as contas. Ou seja, o juiz e o promotor, que foram completamente excluídos daquele esquema do parágrafo chato (pq, alguém sabe? Eles sequer foram consultados ou ouvidos!) –, é que decidirão as contas dos candidatos. Na maioria das vezes, as contas serão aprovadas.

 

Ou seja, o candidato faz errado e as suas contas são aprovadas. Pra que a resolução? Pra que o treinamento? Pra que o martírio dos prazos e sistemas que não funcionam? Pra que?

 

Lembra daquele dinheiro todo que vc imaginou sendo gasto? Agora, imagine ele sendo rasgado...

 


[1] (A propósito, comitê Financeiro é uma entidade que a lei obriga os partidos a constituírem para organizar esse lance das contas dos candidatos e auxiliá-los. Todo partido que lança candidato numa eleição tem que constituir um Comitê Financeiro. Não se pode confundir o Comitê Financeiro com os vários “comitês” que são os QGs dos candidatos)



Escrito por Melzão às 11h10
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